Processo de organização da Atenção Básica a partir do planejamento ascendente, em um município do Paraná: um relato de experiência
DOI:
https://doi.org/10.31005/iajmh.v8i.322Keywords:
planejamento participativo, integração vigilância em saúde e atenção básica, classificação de risco familiarAbstract
Contextualização: Este relato descreve a experiência de reorganização do processo de trabalho das equipes de saúde do município de Ubiratã/PR, baseado no risco e vulnerabilidade das pessoas e do território, integrando a atenção básica e vigilância em saúde, tendo a atenção básica como coordenadora do cuidado e organizadora da rede de atenção à saúde, com a participação da comunidade.
Descrição da experiência: Em janeiro de 2017, foi iniciado o processo de planejamento para a construção do Plano Municipal de Saúde (PMS) e da Programação Anual de Saúde (PAS) tendo a atenção Básica como ordenadora da rede de atenção à saúde e coordenadora do cuidado. Todo esse processo aconteceu com a participação dos trabalhadores da prefeitura e de toda comunidade. Paralelo a esse processo também realizamos a territorialização do município, onde foi revisado todos cadastros, e as famílias foram classificadas por risco, pelas escala de Coelho e Savassi. Após esses dois momentos, foi dado início à unificação do processo de trabalho dos Agente Comunitário de Saúde (ACS) e Agente Combate Endemias (ACE), sendo essa uma das ações propostas de maneira ascendente e participativa no PMS, e possibilitada por meio atribuições comuns presentes na PNAB 2436/2017.
Resultados e impactos: Como resultado tivemos um maior envolvimento dos profissionais e usuários nas decisões da organização dos serviços, onde a educação permanente passou a fazer parte da rotina da equipe, bem como as reuniões de bairro com a participação da comunidade. A unificação das atribuições dos ACS e ACE em um território único, otimizou e qualificou as ações de cuidado, prevenção e promoção desenvolvidas no território, onde todos trabalhavam de maneira solidária, não havendo necessidade de duas pessoas diferentes visitando o mesmo domicílio. O conhecimento dos riscos familiares no território possibilitou o planejamento das ações e do processo de trabalho, e distribuição de recursos financeiros a partir das necessidades da população.
Lições aprendidas: Essa estratégia promoveu melhoria na assistência, baseada no princípio da equidade para todos os usuários do serviço de saúde, considerando sua vulnerabilidade; otimização na distribuição e alocação dos recursos financeiros destinados a saúde; desenvolvimento de um processo de planejamento ascendente e participativo; e, integração e reorganização do processo de trabalho das equipes, considerando a necessidade de saúde da população.