Cogestão como uma diretriz para o exercício da função de gerente de unidade de saúde: uma revisão narrativa
DOI:
https://doi.org/10.31005/iajmh.v8i.325Keywords:
Unidades básicas de saúde, Atenção Primária à Saúde, Cogestão, gerentes de unidadesAbstract
Introdução: A Atenção Primária à Saúde (APS), consolidada na Conferência de Alma-Ata e fortalecida no Brasil com a criação do SUS, é fundamental para a universalização do acesso e a equidade em saúde. A gestão eficaz das Unidades Básicas de Saúde (UBS) é essencial, mas ainda enfrenta desafios estruturais. Destaca-se a necessidade de gerentes qualificados e da adoção de práticas democráticas, como a cogestão, para qualificar os serviços e fortalecer o cuidado humanizado.
Objetivo: Este estudo analisa a cogestão e seus dispositivos na gestão das UBS, abordando a institucionalização do gerente e os desafios e benefícios da gestão participativa na Atenção Básica.
Métodos: Este estudo é uma revisão narrativa da literatura, com abordagem qualitativa, para identificar ferramentas e dispositivos que qualificam os processos de trabalho e gestão em Unidades Básicas de Saúde (UBS). A busca foi realizada na base SciELO entre maio e julho de 2023, incluindo publicações em português de 2011 a 2023. Foram inicialmente encontrados 4.474 artigos, dos quais 23 foram selecionados após análise criteriosa. Os estudos foram organizados em cinco eixos temáticos: cogestão, colegiado gestor, método da roda (Método Paidéia), educação permanente em saúde e apoio institucional. A cogestão se destacou como diretriz estratégica, capaz de transformar práticas de cuidado e gestão, desde que apoiada por dispositivos que viabilizem sua aplicação no cotidiano das UBS.
Resultados: Os resultados indicam que a Atenção Básica deve articular diferentes saberes e atuar de forma interprofissional, participativa e humanizada para qualificar o cuidado. A gestão participativa e a cogestão, por meio de dispositivos como colegiado gestor, apoio institucional e Educação Permanente em Saúde (EPS), fortalecem a autonomia, a corresponsabilidade e a construção coletiva. Esses espaços favorecem a reflexão, o planejamento e a inovação, superando modelos tradicionais e práticas fragmentadas. A EPS integra teoria e prática no cotidiano das equipes, promovendo aprendizado contínuo. O apoio institucional, baseado no Método Paidéia, facilita a descentralização e a gestão democrática. Apesar dos desafios, a cogestão se mostra eficaz para qualificar os processos de trabalho e melhorar a atenção à saúde.
Conclusão: A qualificação da gestão das unidades básicas exige investimento na formação de gestores, políticas públicas específicas e fortalecimento da cogestão. É essencial promover espaços participativos, com apoio técnico e político, para integrar gerência, equipe e usuários. A cogestão, com dispositivos como colegiados gestores e apoio institucional, contribui para uma gestão democrática, inovadora e alinhada aos princípios da Atenção Primária à Saúde.